Tuesday, May 22, 2007

Juventude 4


Luta a dois



Ela vinha luminosa

Eu, especado no chão.

Deu-me os olhos,

eu olhei-a.

Correu para mim,

exaltei de júbilo.

Tocou-me o corpo,

um arrepio o percorreu.

Enlaçou-me,

fiquei doido.

As árvores dançavam

ao ritmo do canto dos pássaros.

O vento uivava,

as gentes tinham morrido.

A erva convidava,

não sentimos o chão.

Pensei estar no vácuo,

preenchendo-o totalmente

com nossos corpos unidos.

Nossos espíritos iluminados

irradiavam luz

e compreensão.

O mundo mudou

e dançou como nós.

O passado apagou-se,

o futuro foi presente,

mas nós fugimos

e fizemos uma vida,

nuns minutos...

Não pensámos em mais ninguém.

Das gargantas saíram ruídos

em vez de sons.

Dos olhos saíram raios

que não eram de luz,

mas aqueciam nossas almas.

E seguimos

e acabámos

e regressámos.

E quando chegámos

o mundo estava na mesma.

Perguntámos porquê,

não há resposta.

Havemos de o transformar.

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