
Ela vinha luminosa
Eu, especado no chão.
Deu-me os olhos,
eu olhei-a.
Correu para mim,
exaltei de júbilo.
Tocou-me o corpo,
um arrepio o percorreu.
Enlaçou-me,
fiquei doido.
As árvores dançavam
ao ritmo do canto dos pássaros.
O vento uivava,
as gentes tinham morrido.
A erva convidava,
não sentimos o chão.
Pensei estar no vácuo,
preenchendo-o totalmente
com nossos corpos unidos.
Nossos espíritos iluminados
irradiavam luz
e compreensão.
O mundo mudou
e dançou como nós.
O passado apagou-se,
o futuro foi presente,
mas nós fugimos
e fizemos uma vida,
nuns minutos...
Não pensámos em mais ninguém.
Das gargantas saíram ruídos
em vez de sons.
Dos olhos saíram raios
que não eram de luz,
mas aqueciam nossas almas.
E seguimos
e acabámos
e regressámos.
E quando chegámos
o mundo estava na mesma.
Perguntámos porquê,
não há resposta.
Havemos de o transformar.
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