
Domingo, 20 de Maio de 2007, foi dia da Meia dos Palácios. O encontro matinal no Palácio de Queluz marcou um ambiente de boa disposição perante a temperatura a fugir para o fresco e o vento que soprava nas costas de quem deixava Sintra para trás.
Os sacos dos elementos da equipa que se dispuseram a enfrentar os vinte e um quilómetros nesta altura do ano foram colocados numa só viatura e foram também à procura de Sintra. Chegámos cedo como se pretende, organizámos os dorsais e os equipamentos e mandámos o motorista de serviço, o Levatudo, que está numa fase de dedicação ao ciclismo, voltar para Queluz e colocar o carro com os sacos numa posição estratégica para nos receber à chegada.
As emblemáticas chaminés tronco cónicas do Palácio da Vila assistiram ao início do nosso aquecimento por volta das 9.00 horas.
A conversa passou pelo ambiente propício, pelos objectivos de tempos para cada um, e, calmamente, passaram trinta minutos que incluíram umas idas à casa de banho selvagem e um reconhecimento de uma pequena parte do percurso.
O Principiante queria aproximar-se da 1h30, o Areia falava em melhor tempo que na Nazaré, o Carvão não acreditava na 1h21 que eu tinha prometido no final do treino de sábado e apontava para a 1h23, dizendo para os seus botões que logicamente eu teria que fazer mais.
O posicionamento na linha de partida foi bom e o arranque foi o ideal para o tempo final previsto. A hérnia esquerda, embora anestesiada com Adrinex, conseguia morder. Ao fim do primeiro quilómetro o Carvão tinha uma vantagem de vinte metros e o meu cronómetro marcava 3'45.
A mente fazia contas para se ocupar e até acreditava em 1h20. As pernas acusavam peso a mais mas aproximavam-se do Carvão. A hérnia picava quando somei mais 3'45 no segundo quilómetro.
O Carvão foi apanhado e tentei incentivá-lo a chegar ao pelotão da frente do escalão dele o qual levava quatro dos seus camaradas de idade. O terceiro quilómetro levou 3'47 a ser percorrido e o carvão decidiu acompanhar-me à distância.
O ritmo estabilizou, as pernas ficaram mais leves e a mente, sem o Carvão, teve agora que se ocupar com outras motivações. Se o ritmo continuasse, a 1h20 era possível, e o quarto quilómetro passou em 3'46.
No quinto tivemos a primeira subida a sério. Que bom foi poder descansar à moda do Presidente e ver as costas de vários colegas a aproximarem-se. O esforço de Manteigas a Penhas Douradas foi muito maior, portanto houve que fazer este quilómetro em 3'50, sem causar grande desgaste.
Sintonizei de seguida a minha primeira prova de montanha, uns 16 (?) Km da Serra de Montejunto em que fui o 8º sénior e a força para não desarmar permitiu fazer 3’50 no sexto quilómetro.
A imensa recta que se seguiu enviou-me para Los Angeles e visualizei durante momentos a passada enorme e a frescura dos movimentos do corpo suado do Carlos Lopes naquela madrugada quente de 1984, da vitória olímpica na maratona, em que eu estava acampado em Milfontes.
O cronómetro contabilizou 3’46 para o sétimo quilómetro e a hérnia queria fazer ouvir-se mas as mordaças mentais estavam a funcionar.
A subida para o Algueirão aproximava-se mas uma imagem chegou primeiro. Foi a da minha vitória numa prova na Póvoa de Santa Iria, em 1995, com subidas e descidas acentuadas que me mostrou pela primeira vez, nas provas de estrada a sério, a sensação de deixar todos os colegas para trás, de não ter ninguém à frente, de sentir cada vez mais força para me afastar, e o oitavo quilómetro passou-se em 3’53.
Com a embalagem do ritmo e do pensamento apareceu o mês de Agosto de 1995 e uma prova na Portagem, perto de Marvão, em que também ganhei, e com um gozo especial porque estava com os meus compadres (quase alentejanos) mais uns colegas deles. Eu, com uns calções e uma camisola de treino “limpei” toda a concorrência, em especial um atleta de alto gabarito com um alto equipamento de licra e umas amostragens de velocidade no aquecimento que já o faziam vencedor à partida.
Enganei-os a todos e percorri o nono quilómetro em 4’08 a acusar portanto a inclinação.
Na parte final da subida sinto uma coisa a entrar lateralmente no sapato direito e percebi ao fim de mais uns duzentos metros que se tratava de um dos ramos do atacador. Como é comum nestas situações não tardou que o colega que seguia num ritmo semelhante ao meu me avisasse que o atacador ia solto. Agradeci e retorqui que ia esperar pelo piso mais plano para parar pois na subida maior seria a perda de ritmo. Parei no entroncamento para Rio de Mouro frente a uma “tasca” de onde saíam duas raparigas.
“Olha, olha, julguei que estava a parar para vir beber um copo de tinto e afinal está a apertar o atacador...” disse uma. “Pois é não reparei que podia abastecer-me aqui tão perto...” respondi. E adicionei “ Mas já aí está o tinto ou demora muito?” “ Ainda não.” disse a outra, mas vou já buscar” “ Já não dá, porque já atei isto.” e lancei-me de novo na perseguição dos colegas da vizinhança do meu ritmo.
Claro que este décimo quilómetro foi parar a 4’35 sem remissão.
Com a necessidade de recuperar o andamento e os segundos perdidos foi o Fernando Mamede naquelas suas últimas voltas do recorde do mundo de 10000 m que veio em minha ajuda além de que o percurso começou a descer levemente e 3’40 foi o tempo com que brindei o décimo primeiro.
O cansaço provocado pelo retomar de ritmo, a mudança de inclinação e a alteração da paisagem envolvente levaram-me até à mata onde treino, em busca de mais oxigénio, em busca do ar puro e limpo das seis da madrugada e encontrei 3’51 no décimo segundo, misturados com os pulos alegres dos coelhinhos e os saltos voadores dos melros com os seus bicos laranjas (não confundir com as bic laranja...).
Meia descida e meia subida, ou talvez mais subida, o pensamento na Carregueira foi igual à recordação de Mogadouro em que tão bem subi mas tão mal desci, as fugas do Carvão a descer, as minhas recuperações a subir, e o décimo terceiro passou em 4’00.
Mais subida e encontrei-me a pedalar num “passeio cicloturístico”, nocturno, na Arruda dos Vinhos há dois anos, a dificuldade foi grande na parte de trilhos mas no último troço, feito em estrada, a subida foi só comigo, e 4’07 festejaram mais uma passagem de quilómetro.
Percebi aqui, que ainda com mais uma parte de subida a vencer, ia ser difícil a tal 1h20 que verdade seja dita já não faço há muitos anos, mas que julguei ser possível com a ajuda das minhas companheiras...Voei então para a Nazaré do último Novembro onde tinha feito 1h 21’26, com os sapatos que estavam a andar no momento, com um ritmo muito certinho e com um objectivo inteiramente cumprido de preparar a maratona de Dezembro. Com o décimo quinto em 4’05 e um acumulado de 58’48 ia mesmo assim ser difícil baixar da 1h22.
Com a inversão do declive chamei então um anjo de que tanto gosto, ou seja, o anjo de Zatopek e a ajuda dele devolveu-me a inspiração para cronometrar 3’38 no décimo sexto e voltar a acreditar. Este anjo tem sempre este efeito em mim, é rápido, é lutador e impulsiona-me a fazer mais e melhor.
Por esta altura tinha-me chegado ao colega que me avisara do atacador e que teve novamente uma palavra amiga, congratulando a minha recuperação e considerando difícil fazer o que eu tinha feito, pois achava que o ritmo quebra sempre naquelas situações e é uma trabalheira chegar ao pé das pessoas que vão com um andamento semelhante. A passada era agora mais alegre com a companhia dele e com o décimo sétimo a marcar 3’43.
A alegria de correr fugiu então para as gloriosas provas do Gebreselassié onde era marcante a imagem sorridente a acompanhar os sprintes impressionantes dos últimos quilómetros daqueles recordes do mundo de 10000 m a que assisti. E, rapidamente, em mais 3’43, apareceu a marca dos dezoito quilómetros.
Estava outra vez na casa da 1h21 e deixei-me deslizar pelas entradas de Queluz ao lado do mesmo companheiro que não fazia ideia dos meus devaneios nem das minhas contas nem das minhas amigas a quererem roer-me, e o décimo nono fez-se em 3’53.
Mais um pouco de aceleração e o aproximar dos vinte quilómetros aproximou-me do fim daquela maratona da Manuela Machado, atleta que tanto admiro pela sua dedicação, trabalho e humildade, num campeonato do mundo em que ergueu bem alto a bandeira de Portugal e sem dúvida que me ajudou a baixar de novo o tempo do quilómetro para 3’43 e a cumprir um acumulado de 1h17’26, deixando-me com a tarefa facilitada para acabar à volta do tempo da Nazaré.
Logo a seguir o meu colega aumentou o ritmo, não o consegui acompanhar, faltou-me a capacidade (ou a força) para chamar um especialista em finais, tipo Alberto Cova, ainda fui porfiando pensando já na meta, sentia que estava a andar bem mas ainda veio outro ”sprinter” de trás e ganhou-me cinco ou seis metros que se mantiveram até ao Palácio de Queluz onde muitos frequentadores da mata me “empurraram” até ao fim e onde o Luís Jesus animava a manhã que já estava a tornar-se chuvosa. O vigésimo primeiro demorou 3’39 e os últimos noventa e picos metros 20’’.
No final registei 1h21’25’’, praticamente igual à Nazaré e um 55º na geral, bem como um 10º no escalão.
O Carvão foi 66º com 1h22’36 e 5º no escalão.
O Areia foi 89º, 10º no escalão com 1h25’12.
O Principiante estabeleceu o seu recorde pessoal com 1h28’10, baixando cerca de cinco minutos o tempo da meia de Lisboa e foi 118º.
A Remolpinta foi nona na classificação por equipas e para recolher o troféu estive a apanhar uma bela chuva durante mais de vinte minutos.
O Presidente dorme...mas merece...
A organização esteve bem nos abastecimentos, estava por certo preparada para o calor da edição anterior, mas esteve mal na paragem do trânsito pois cheguei a correr com carros ao lado cujos condutores nem sequer tinham muita vontade de me deixar correr à frente deles. Ainda dei uma palmada num capot de um carro que insistia em empurrar-me para o meio da estrada quando eu estava a tentar encostar à direita numa curva para esta direcção. Penso que é um ponto a rever.
A chuva prejudicou a cerimónia final e já nem consegui assistir porque nem me lembrei do sorteio dos diversos brindes anunciados.
Fica para a próxima.
Os sacos dos elementos da equipa que se dispuseram a enfrentar os vinte e um quilómetros nesta altura do ano foram colocados numa só viatura e foram também à procura de Sintra. Chegámos cedo como se pretende, organizámos os dorsais e os equipamentos e mandámos o motorista de serviço, o Levatudo, que está numa fase de dedicação ao ciclismo, voltar para Queluz e colocar o carro com os sacos numa posição estratégica para nos receber à chegada.
As emblemáticas chaminés tronco cónicas do Palácio da Vila assistiram ao início do nosso aquecimento por volta das 9.00 horas.
A conversa passou pelo ambiente propício, pelos objectivos de tempos para cada um, e, calmamente, passaram trinta minutos que incluíram umas idas à casa de banho selvagem e um reconhecimento de uma pequena parte do percurso.
O Principiante queria aproximar-se da 1h30, o Areia falava em melhor tempo que na Nazaré, o Carvão não acreditava na 1h21 que eu tinha prometido no final do treino de sábado e apontava para a 1h23, dizendo para os seus botões que logicamente eu teria que fazer mais.
O posicionamento na linha de partida foi bom e o arranque foi o ideal para o tempo final previsto. A hérnia esquerda, embora anestesiada com Adrinex, conseguia morder. Ao fim do primeiro quilómetro o Carvão tinha uma vantagem de vinte metros e o meu cronómetro marcava 3'45.
A mente fazia contas para se ocupar e até acreditava em 1h20. As pernas acusavam peso a mais mas aproximavam-se do Carvão. A hérnia picava quando somei mais 3'45 no segundo quilómetro.
O Carvão foi apanhado e tentei incentivá-lo a chegar ao pelotão da frente do escalão dele o qual levava quatro dos seus camaradas de idade. O terceiro quilómetro levou 3'47 a ser percorrido e o carvão decidiu acompanhar-me à distância.
O ritmo estabilizou, as pernas ficaram mais leves e a mente, sem o Carvão, teve agora que se ocupar com outras motivações. Se o ritmo continuasse, a 1h20 era possível, e o quarto quilómetro passou em 3'46.
No quinto tivemos a primeira subida a sério. Que bom foi poder descansar à moda do Presidente e ver as costas de vários colegas a aproximarem-se. O esforço de Manteigas a Penhas Douradas foi muito maior, portanto houve que fazer este quilómetro em 3'50, sem causar grande desgaste.
Sintonizei de seguida a minha primeira prova de montanha, uns 16 (?) Km da Serra de Montejunto em que fui o 8º sénior e a força para não desarmar permitiu fazer 3’50 no sexto quilómetro.
A imensa recta que se seguiu enviou-me para Los Angeles e visualizei durante momentos a passada enorme e a frescura dos movimentos do corpo suado do Carlos Lopes naquela madrugada quente de 1984, da vitória olímpica na maratona, em que eu estava acampado em Milfontes.
O cronómetro contabilizou 3’46 para o sétimo quilómetro e a hérnia queria fazer ouvir-se mas as mordaças mentais estavam a funcionar.
A subida para o Algueirão aproximava-se mas uma imagem chegou primeiro. Foi a da minha vitória numa prova na Póvoa de Santa Iria, em 1995, com subidas e descidas acentuadas que me mostrou pela primeira vez, nas provas de estrada a sério, a sensação de deixar todos os colegas para trás, de não ter ninguém à frente, de sentir cada vez mais força para me afastar, e o oitavo quilómetro passou-se em 3’53.
Com a embalagem do ritmo e do pensamento apareceu o mês de Agosto de 1995 e uma prova na Portagem, perto de Marvão, em que também ganhei, e com um gozo especial porque estava com os meus compadres (quase alentejanos) mais uns colegas deles. Eu, com uns calções e uma camisola de treino “limpei” toda a concorrência, em especial um atleta de alto gabarito com um alto equipamento de licra e umas amostragens de velocidade no aquecimento que já o faziam vencedor à partida.
Enganei-os a todos e percorri o nono quilómetro em 4’08 a acusar portanto a inclinação.
Na parte final da subida sinto uma coisa a entrar lateralmente no sapato direito e percebi ao fim de mais uns duzentos metros que se tratava de um dos ramos do atacador. Como é comum nestas situações não tardou que o colega que seguia num ritmo semelhante ao meu me avisasse que o atacador ia solto. Agradeci e retorqui que ia esperar pelo piso mais plano para parar pois na subida maior seria a perda de ritmo. Parei no entroncamento para Rio de Mouro frente a uma “tasca” de onde saíam duas raparigas.
“Olha, olha, julguei que estava a parar para vir beber um copo de tinto e afinal está a apertar o atacador...” disse uma. “Pois é não reparei que podia abastecer-me aqui tão perto...” respondi. E adicionei “ Mas já aí está o tinto ou demora muito?” “ Ainda não.” disse a outra, mas vou já buscar” “ Já não dá, porque já atei isto.” e lancei-me de novo na perseguição dos colegas da vizinhança do meu ritmo.
Claro que este décimo quilómetro foi parar a 4’35 sem remissão.
Com a necessidade de recuperar o andamento e os segundos perdidos foi o Fernando Mamede naquelas suas últimas voltas do recorde do mundo de 10000 m que veio em minha ajuda além de que o percurso começou a descer levemente e 3’40 foi o tempo com que brindei o décimo primeiro.
O cansaço provocado pelo retomar de ritmo, a mudança de inclinação e a alteração da paisagem envolvente levaram-me até à mata onde treino, em busca de mais oxigénio, em busca do ar puro e limpo das seis da madrugada e encontrei 3’51 no décimo segundo, misturados com os pulos alegres dos coelhinhos e os saltos voadores dos melros com os seus bicos laranjas (não confundir com as bic laranja...).
Meia descida e meia subida, ou talvez mais subida, o pensamento na Carregueira foi igual à recordação de Mogadouro em que tão bem subi mas tão mal desci, as fugas do Carvão a descer, as minhas recuperações a subir, e o décimo terceiro passou em 4’00.
Mais subida e encontrei-me a pedalar num “passeio cicloturístico”, nocturno, na Arruda dos Vinhos há dois anos, a dificuldade foi grande na parte de trilhos mas no último troço, feito em estrada, a subida foi só comigo, e 4’07 festejaram mais uma passagem de quilómetro.
Percebi aqui, que ainda com mais uma parte de subida a vencer, ia ser difícil a tal 1h20 que verdade seja dita já não faço há muitos anos, mas que julguei ser possível com a ajuda das minhas companheiras...Voei então para a Nazaré do último Novembro onde tinha feito 1h 21’26, com os sapatos que estavam a andar no momento, com um ritmo muito certinho e com um objectivo inteiramente cumprido de preparar a maratona de Dezembro. Com o décimo quinto em 4’05 e um acumulado de 58’48 ia mesmo assim ser difícil baixar da 1h22.
Com a inversão do declive chamei então um anjo de que tanto gosto, ou seja, o anjo de Zatopek e a ajuda dele devolveu-me a inspiração para cronometrar 3’38 no décimo sexto e voltar a acreditar. Este anjo tem sempre este efeito em mim, é rápido, é lutador e impulsiona-me a fazer mais e melhor.
Por esta altura tinha-me chegado ao colega que me avisara do atacador e que teve novamente uma palavra amiga, congratulando a minha recuperação e considerando difícil fazer o que eu tinha feito, pois achava que o ritmo quebra sempre naquelas situações e é uma trabalheira chegar ao pé das pessoas que vão com um andamento semelhante. A passada era agora mais alegre com a companhia dele e com o décimo sétimo a marcar 3’43.
A alegria de correr fugiu então para as gloriosas provas do Gebreselassié onde era marcante a imagem sorridente a acompanhar os sprintes impressionantes dos últimos quilómetros daqueles recordes do mundo de 10000 m a que assisti. E, rapidamente, em mais 3’43, apareceu a marca dos dezoito quilómetros.
Estava outra vez na casa da 1h21 e deixei-me deslizar pelas entradas de Queluz ao lado do mesmo companheiro que não fazia ideia dos meus devaneios nem das minhas contas nem das minhas amigas a quererem roer-me, e o décimo nono fez-se em 3’53.
Mais um pouco de aceleração e o aproximar dos vinte quilómetros aproximou-me do fim daquela maratona da Manuela Machado, atleta que tanto admiro pela sua dedicação, trabalho e humildade, num campeonato do mundo em que ergueu bem alto a bandeira de Portugal e sem dúvida que me ajudou a baixar de novo o tempo do quilómetro para 3’43 e a cumprir um acumulado de 1h17’26, deixando-me com a tarefa facilitada para acabar à volta do tempo da Nazaré.
Logo a seguir o meu colega aumentou o ritmo, não o consegui acompanhar, faltou-me a capacidade (ou a força) para chamar um especialista em finais, tipo Alberto Cova, ainda fui porfiando pensando já na meta, sentia que estava a andar bem mas ainda veio outro ”sprinter” de trás e ganhou-me cinco ou seis metros que se mantiveram até ao Palácio de Queluz onde muitos frequentadores da mata me “empurraram” até ao fim e onde o Luís Jesus animava a manhã que já estava a tornar-se chuvosa. O vigésimo primeiro demorou 3’39 e os últimos noventa e picos metros 20’’.
No final registei 1h21’25’’, praticamente igual à Nazaré e um 55º na geral, bem como um 10º no escalão.
O Carvão foi 66º com 1h22’36 e 5º no escalão.
O Areia foi 89º, 10º no escalão com 1h25’12.
O Principiante estabeleceu o seu recorde pessoal com 1h28’10, baixando cerca de cinco minutos o tempo da meia de Lisboa e foi 118º.
A Remolpinta foi nona na classificação por equipas e para recolher o troféu estive a apanhar uma bela chuva durante mais de vinte minutos.
O Presidente dorme...mas merece...
A organização esteve bem nos abastecimentos, estava por certo preparada para o calor da edição anterior, mas esteve mal na paragem do trânsito pois cheguei a correr com carros ao lado cujos condutores nem sequer tinham muita vontade de me deixar correr à frente deles. Ainda dei uma palmada num capot de um carro que insistia em empurrar-me para o meio da estrada quando eu estava a tentar encostar à direita numa curva para esta direcção. Penso que é um ponto a rever.
A chuva prejudicou a cerimónia final e já nem consegui assistir porque nem me lembrei do sorteio dos diversos brindes anunciados.
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