Wednesday, May 02, 2007

Mentes felinas 2

A chuva partilha hoje a vida animada dos desenhos moribundos traçados no plano terrestre pelos arquianjos que acompanham os nossos heróis na aventura de imigração no planeta Terra.
Continuam a viajar no avião de promessas divinas mas não conseguem sentir a passagem de objectos nem os objectos passam por eles.
Sobre as suas cabeças loiras voam gaivotas que anunciam tempestades de areia nas florestas tropicais e mais acima pairam nuvens de algodão de uma cor escura cinzenta como breu e ainda mais acima está a força luminosa do astro-rei que sopra um calor tórrido que não atinge Tim nem Tina e que na verdade não atinge mesmo nada em milhares de quilómetros quadrados em redor.
O dia é feito de mar sem ondas altas e a navegação faz-se à custa de balões de oxigénio que fugiu das garrafas onde tinha sido armazenado sem qualquer objectivo preciso.
As pernas arrastam-se, os músculos estão lânguidos, os olhos caiem para o chão procurando refúgio na mãe natureza e as ideias estão paradas no trânsito interrompido por um acidente monumental.
Assim a vida deixa correr o dia e felicita a noite quando a Lua, mordida na borda superior direita, sorri no Levante e se iça airosamente na calote celeste.
Tim adormece com Tina interrogando-se sobre o presente e Tina sonha com a realidade que irá conhecer quando ela acontecer.

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