Sunday, October 14, 2007

Juventude 8



Fúria Terrível


Medito na vida.


Medito na amizade


e no amor.


Medito no que sou obrigado


a não fazer.


Forças estranhas


cruzam o espaço cerebral


em busca de um fim.


As rotas são confusas


e os destinos também.


A clareza não impera,


melhor, não existe.


Chamo maldita


à inibição.


Chamo perversa


à inacção.


Chamo tudo


à sociedade.


Desgraçada teia


que nos impede de mover.


Desgraçada carcaça podre


que nos mascara


com baton negro.


Desgraçada solteirona


que se ri


das legais assinaturas


em registos de papel.


Benditas as chamas purificadoras.


Bendito o anarquismo mental


e a libertação psicológica.


Quero quebrar as amarras


que me atam os neurónios.


Quero derreter a solda


que me manieta os membros.


Quero viver


como o "deus" me ordena.


Quero amar o próximo


mas a mim também.


Natureza, irmã das tempestades,


peço-te hoje


a chuva regeneradora


o vento catalizador


e a tua fúria amiga.


Transforma-me no selvagem


que me fervilha nas veias.


Fustiga-me


com o saber milenário


e com um chicote de algodão.


Sinto a válvula a abrir


depois da tinta correr,


mas fico longe


do início do desejo.


Tenho que olhar a floresta,


saborear o ar oxigenado,


provar a erva fresca,


estender-me nas savanas.


Preciso de viver,


num hospital de doidos,


para alimentar a loucura.





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